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Santillana del Mar: A materialização da idade média

Em alguma fase da nossa vida já pensámos o seguinte: “Um dia gostaria de viajar no tempo e dar um salto à idade média!”. Verdadeiramente, eu nunca pensei nisto. A idade média até se me afigura como sendo bastante repulsiva.

Uma coisa é certa, pelo menos o pensamento inverso já alguém teve. Caso contrário, não tínhamos tido filmes do estilo, “Os visitantes da idade média”.


Independentemente da idade média estar, ou não, no nosso pensamento, visitar um lugar e ter a sensação de que se está a viajar no tempo é algo absolutamente maravilhoso. É este o contexto, em que surge como lugar mágico, a aldeia espanhola de Santillana del Mar.

Santillana del Mar é uma aldeia medieval, que devido ao seu estado de conservação, possui um valor histórico e artístico único e incalculável. É considerada, logicamente, como sendo uma das aldeias históricas mais importantes de Espanha e por conseguinte, tornou-se num foco de turismo da Cantábria e é um dos lugares mais visitados da região.

A aldeia desenvolveu-se em torno da Colegiata, um impetuoso monumento (antigo mosteiro) do século XII, do estilo românico, cujas estátuas evocam os temas fundamentais da religiosidade medieval, com especial enfoque para a luta entre o Bem e o Mal, e a necessidade do arrependimento e do perdão. Estas mensagens são apresentadas através de alegorias, símbolos animais (leões, corvos, cobras, etc.) e vegetais (maçãs, lírios, videiras, etc.), e cenas humanas.

Para além da Colegiata, podemos encontrar outros edifícios medievais simbólicos, como a Torre del Merino e a Torre de Don Borja. Existem ainda símbolos do renascentismo, como o Palácio dos Velarde, e do barroco, como as mansões dos Villa e dos Caldivieso.

Com o cenário medieval perfeito criado, torna-se apenas necessário ter o espírito e esta aldeia tem-no! Santillana, também é conhecida pelo seu ambiente medieval e vais poder senti-lo nos pequenos pormenores: no forno a lenha da padaria; no chocolate artesanal da "fábrica" de chocolate; nos sapatos das lojas de artesanato, que são réplicas dos sapatos de pano que os habitantes de Santillana utilizavam quando calçavam socas e… caramba! Até o sistema de abastecimento de água, dos tanques da lavagem de roupa é o original! Mas, a cereja no topo do bolo é uma característica medieval muito “Santillanesca”: as varandas floridas. É esta cereja, que te vai permitir afirmar com grande propriedade intelectual: “Até que enfim! Medievalidade que não é lúgubre!”.

Apesar de muitos, os encantos de Santillana, não ficam por aqui. A dois quilómetros da aldeia, existe outro grande tesouro artístico da Cantabria: a caverna de Altamira. Descrita como a Capela Sistina da arte rupestre, foi considerada Património da Humanidade pela UNESCO e conserva das pinturas mais importantes, e famosas, da Pré-História (de à 16.500 a 18.500 anos atrás!). A caverna tem cerca de 270 metros de longitude, contém cerca de 150 gravuras, que são o resultado da expressão artística do homem paleolítico (bisontes, veados, etc.). Um pormenor interessante, as pinturas são policromadas com base em pigmentos naturais, que se conservaram até aos dias de hoje!

Em suma, apesar de ter estado recentemente num museu à meia-noite, posso afirmar com toda a segurança, que se quiseres ver um museu vivo, o melhor é fazeres já as malas e ires a Santillana del Mar.

Viagem: O ideal é ir de carro, apanhas a A23 e vais directamente para Salamanca ( aproveita para pernoitares, Salamanca é uma cidade lindíssima e com bares de tapas fenomenais). Para saíres de Salamanca em direcção a Santillana, apanhas a A-62 (Autovia como uma Auto Estrada, mas gratuita),na direcção Valladolid e perto de Palencia, sais para a A-67, na Direcção Santander. Até Santillana é “tudo recto”! Desta forma, só gastas dinheiro em gasolina e vale a pena reservares 250€, para poderes explorar bem a zona.

Estadia: Em Santillana, é melhor ficares numa pousada, porque para além de serem mais baratas que os hotéis, também contribuem para a experiência medieval, uma vez que são tipicamente casas Montanhesas. Em época alta, reservares um quarto duplo por 6 dias, fica entre 330€ e 400€ (28 a 34€/dia por pessoa). Em época baixa (normalmente, a partir da segunda quinzena de Setembro) os preços baixam cerca de 30%.

PS: Se queres ir a Santillana del Mar, contacta-nos. Se não quiseres ir, espera por outro post ou então compra tintas com base em pigmentos naturais, faz um desenho rupestre na sala e leva um pouco da Santillana até ti.

Salar de Uyuni: uma experiência inesquécivel

Há experiências na vida, que não se conseguem explicar. É aqui que se enquadra uma visita ao Salar de Uyuni.

Primeiro que tudo, vamos às credênciais: o Salar de Uyuni está situado no sudoeste da Bolivia, no altiplano andino, a 3.700 metros de altitude. É a maior superfície de sal do mundo, com mais de 12.000 Km2 de área, ou seja, maior que o lago Titicaca, no norte do Peru. Estima-se que contenha cerca de 10 biliões de toneladas de sal!


O deserto de sal permite-nos viver sensações únicas, quase sobrenaturais: a partir de certa altura o salar parece infinito, um manto branco que se estende até onde a vista alcança. A luz é única, particularmente brilhante, devido ao reflexo da luz solar nos cristais de sal. Outra experiência incrível é o pôr-do-sol, com o salar a reflectir a cor do céu e a visão estonteante de ver a lua a nascer ao mesmo tempo.

Alguns atractivos adicionais são: a ilha do pescado, em forma de peixe repleta de cactos de todos os tamanhos, lagoas coloridas onde se vêm as 3 espécies de flamingos que durante o verão co-existem no local, lagoas de águas termais e geiseres que exalam vapor a uma temperatura de 38°C.

Viagem: para chegar a Uyuni, voas para La Paz a partir de Lisboa. Em epoca baixa, o voo custa cerca de €1.200. De La Paz para Uyuno são cerca de 12 a 15 horas de autocarro a um custo de cerca de €10!!!

Estadia: recomendo a estadia na cidade de Uyuni, que não sendo uma cidade preparada para turistas, tem melhores condições que as cidades  circundantes. Não marquem nenhum hotel em Uyuni, sem conhecerem opiniões de turistas que por lá passaram. O preço para um hotel risco 0, varia entre os €40 e os €80, o que para o nível de vida da Bolivia é um balúrdio!

Uma opção diferente mas espectacular é o Hotel Luna Salada, construído inteiramente de blocos de sal e localizado em pleno salar.

Visitas guiadas: existem tours de 1, 2, 3 e 4 dias. Os valores indicativos são de $40, $70, $100 e $150 e incluem guia, jeep, alimentação e "estadia".

Cuidados especiais:
  1. Utilizem sempre óculos escuros durante a visita ao salar, a exposição demorada a esta luz especialmente branca pode causar cegueira de alpinista, que é temporária. tipicamente de 1 a 3 dias, mas extremamente desagradável;
  2. Não se aventurem a conhecer o salar sozinhos, sem a supervisão de um guia. O salar é composto por aproximadamente 11 camadas com espessuras que variam entre 2 e 10 metros mas em certas zonas é de apenas 10cm e não suportam o peso de uma pessoa, quanto mais de um jipe;
  3. Atenção à Puna, a doença de altitude. Os sintomas são semelhantes a uma ressaca leve, dores de cabeça, cansaço, náuseas, falta de apetite, devido à falta de oxigenação do sangue. Caso sinta estes sintomas, evite esforços físicos e repouse o tempo necessário para poder continuar o tour.

Plitvice: Mais do que um lugar, um prodígio da Natureza.

Por vezes é complicado definir aquilo que mais procuramos quando viajamos. Eu acredito em duas coisas: a primeira, é que os nossos sonhos são a razão para procurarmos determinados destinos e, a segunda, é que ao chegar ao destino confirmo sempre aquilo que um homem muito sábio uma vez disse: “a realidade, como sempre, suplanta a ficção”.


Foram estas duas crenças que me levaram à Croácia e, mais especificamente a Plitvice, um dos lugares mais prodigioso daquele país e que é, inclusivamente, considerado Património da Humanidade pela UNESCO.

Ao escrever este post deparo-me, pela primeira vez, com a dificuldade de descrever um lugar que parece uma obra de arte. Um lugar onde todas as escarpas foram esculpidas de forma a criar uma sequência harmoniosa de pequenos lagos circulares e cascatas. Um lugar onde o verde dos montes se mistura com o cristalino azuverde turquesa (cor inventada em Plitvice pelo sábio romano Rafaelus Motus Veigus) das águas. Um lugar… mágico. É esta a expressão que consegue exprimir tudo o que eu poderia escrever ou dizer sobre Plitvice.

Ao contrário de outros lugares mágicos, Plitvice não é inalcançável. Chegar lá é fácil e passear também, uma vez que os percursos não são fisicamente exigentes e para estares preparado, basta levar calçado apropriado para caminhadas. O parque tem duas entradas e todos os trilhos estão bem demarcados, também existem passadiços de madeira que nos permitem caminhar nas margens dos lagos e é possível dar um passeio de barco no lago Kozjak (é melhor teres a máquina fotográfica a jeito, porque o passeio é um grande orgasmo visual). Se gostas de animais vais ver muita passarada e só duvido que consigas avistar lobos ou ursos. Também vais sentir uma enorme vontade de mandar um mergulho e de comer carpa grelhada, mas isso não é possível e, tendo em conta o tamanho dos seguranças, deve dar direito a umas belas palmadas no rabo (se estás a dizer para ti próprio/a que gostas disso então manda logo uma bomba).

Viagem: O ideal é apanhares um avião de Lisboa para Zagreb. Uma reserva feita com alguma antecedência permite-te comprar um bilhete de ida e volta a rondar os 250€.

Estadia: Se a viagem for a dois e de carácter intimista, o ideal será uma estadia nos pequenos hotéis do parque, uma noite vai custar 80€, mas vale a pena. Se a viagem tiver outro "mood", ou se uma noite no parque for suficiente, o melhor é apanhares um autocarro e voltar para Zagreb ou aproveitares para ir a Split. A estadia num bom hostel no centro de qualquer uma destas cidades, fica entre 17 e 20€/dia.

Entrada no parque: Custa 15€ (Há variações ao longo da época e se ainda fores estudante tens desconto com cartão ISIC).

PS: Se queres ir a Plitvice, contacta-nos. Se não quiseres ir, espera por outro post ou então compra um cão Dalmata de louça na Feira de São Mateus e leva um pouco da Croácia até ti.